Dança do Ventre e Conceitualidade IV – Influências Arquetípicas

Arquétipo da Deusa: sua queda, seu retorno

II Parte

Modelos Psicológicos

MODELO PSICOLÓGICO DO PAI MODELO PSICOLÓGICO DA MÃE
Instinto Intuição
Busca -> Destino Presença -> Lugar
Existo para ir ao encontro, em busca “de” Existo para me estabelecer confortavelmente protegido
Existo porque sou responsável pelo meu destino e estabilidade Existo porque sou responsável pelo meu sentir
Atitude de Ação Atitude de Recepção
Mente lógica Mente emocional
Agressividade Docilidade
Visão global Visão detalhada
Fogo e Ar Terra e Água
Sucesso Progresso
Resistência Flexibilidade

O pai traz proteção, a mãe também. Mas são formas diferentes de manifestar proteção.

As sociedades agrárias do Neolítico lidavam com a agricultura, e estabeleciam forte ligação com a terra: assim como dela nascem as plantas, a mulher dá à luz; assim como as plantas alimentam, a mulher amamenta; então, ambas as magias (realizações) - a da mãe e a da terra - se conectam.

A Deusa é a figura mítica personificada na energia (idéia numínica) que dá origem às formas e as alimenta, é a essência feminina, dominante na Antiga Mesopotâmia, Antigo Egito e nos sistemas primitivos de agricultura. Apareciam em algumas culturas as figuras do touro, do bode e do javali como símbolos do poder masculino como fertilizador, mas a divindade dominante continuava sendo feminina.

Explicando pelo arquétipo de Nut, a Deusa-Céu egípcia, quando se tem por criador uma deusa, tem-se o seu próprio corpo como o universo. Mas quando se tem um deus por criador, o que sai dele é que é considerado o universo.

Um outro exemplo, presente na mitologia indiana, sobre a Deusa: sua presença é dominante ainda hoje, e todos os demais deuses são seus filhos, e tudo o que existe é produto Dela. Ela dá forma delineada às coisas, como também lhes confere autonomia -> ela é o campo morfogenético, o campo que produz formas, mas não sozinha. Ela está em comunhão criativa com o poder masculino: o falo, o ligan do Deus Gerador, penetra na vagina, yoni da Deusa. Esse é o momento originador de toda a vida. Por isso, na Índia, entre aqueles que seguem as antigas tradições, o ato de gerar uma criança é considerado cósmico e sagrado. 

Dança do Ventre e Conceitualidade III – Influências Arquetípicas

Arquétipo da Deusa: sua queda, seu retorno

I Parte

“O feminino representa o que, em termos kantianos*, chamamos de formas da sensibilidade. A Deusa é espaço e tempo, e o mistério para além dela é o mistério para além de todos os pares de opostos. Assim, não é masculina nem feminina. Tudo está dentro dela, de modo que os deuses são seus filhos.”

(Joseph Campbell – “O Poder do Mito”,1990)

Em tempos remotos, no Período Neolítico, época das sociedades agrárias, havia sistemas religiosos em que a mãe era a fonte principal. Isso por uma razão muito simples: por estar mais próxima do bebê que o pai, e também porque o filho, ao nascer, experimenta sempre seu primeiro contato com a mãe.

Por analogia, estes sistemas atribuíam à figura feminina um caráter divino.

Foi desta forma que, na mitologia, nasceu a Mãe-Terra dos gregos, e no Egito, Nut: a Mãe-Céu, que representava toda a abóbada celeste, inspirando, ao mesmo tempo, reverência e sensualidade, porque o centro do céu era o seu ventre, e o ventre, era venerado e sensualmente evocado.

E Campbell pergunta: Por que “Pai Nosso” e não “Mãe Nossa”?

Existe uma grande diferença entre o deus psicológico (que compõe a síntese do que os nossos pais e a cultura formam conosco) e o deus “verdadeiro”.

Em “O poder do Mito”, Campbell diz que é uma imagem simbólica, religiosa e mitológica, referente a campos de experiência ou planos de consciência do espírito humano; imagem esta, evocativa, isto é, que traz lembranças, de atitudes e experiências que cultivam e sugerem meditação a respeito do mistério da fonte originária do Ser.

Explicando melhor, por campos de experiência se entende as experiências da vida. Por tudo o que se passou, por tudo o que aconteceu. Visão que tem origem de uma referência global, por ser pertinente à realidade de todos nós, mas também individual, por possuirmos essências diferentes. O segundo ponto são os planos de consciência do ser humano: em função da revolução mitológica, o plano de consciência em que nos situamos atualmente é o do Pai. Vejamos o porquê.

MITOLOGIA NA MENTE

Desde que nascemos, vivemos uma busca instintiva pelo pai, porque  a figura do pai pode ser desconhecida, desde que nascemos da mãe. A idéia de uma deusa como figura divina se origina do fato de que nascemos de uma mãe.

A mãe, sempre está perto: ela amamenta, educa e acompanha o crescimento. Sabemos que esta visão está mudando gradativamente em nossos tempos, mas o fato é que a busca pelo pai e o seu encontro representam a descoberta do destino, porque o instinto trabalha desta forma.

Quando se fala em busca pelo pai, não se fala de uma busca física, mas sim de uma busca psicológica, emocional e vocacional. Sem esse encontro  não pode haver amadurecimento, porque apenas as referências da mãe psicológica não são suficientes para uma formação plena.

***

* kantianos: termo que se refere a Immanuel Kant, filósofo e metafísico alemão que viveu entre 1724 a 1804, e elaborou o idealismo transcendental, filosofia segundo a qual “a existência da realidade física depende da mente humana sem descartar a experiência”. Frase célebre: “Não vemos a realidade como ela é, mas como nós somos”. 

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Dança do Ventre e Conceitualidade II – Influências Arquetípicas

Heranças da Deusa

“O s mitos da Grande Deusa ensinam a ter compaixão por todas as criaturas. Assim você chega a avaliar a verdadeira santidade da própria terra, que é o corpo da Deusa”.
(Joseph Campbell – “O Poder do Mito”, 1990)

Apesar da descoberta científica, que trouxe o grande avanço das explicações sobre os fenômenos do mundo em que vivemos, o mito ainda atua sobre o mundo moderno, através dos artistas, das músicas, das sete maravilhas do mundo, dos filmes cinematográficos, das personalidades eminentes, etc.

A mitologia exerce influências em nosso subconsciente, e os psicanalistas, psiquiatras, pesquisadores e psicólogos estudam na Mitologia o comportamento humano, e, encontram também nela, as respostas que precisam para a resolução de alguns estudos de casos e tratamentos.

Neste volume, será estudado uma parte da mitologia que diz respeito ao arquétipo da Deusa e sobre suas influências na dança do ventre. Para entender um pouco isso, é necessário compreender o que aconteceu com a Deusa.

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Dança do Ventre e Conceitualidade I – Influências Arquetípicas

A dança nasceu das entranhas da terra.
Sua gestação foi mítica, e materializou-se no mundo das formas tornando-se imortal, não apenas pela vida física, mas pelas mentes das gerações de mulheres que a conceberam e aperfeiçoaram.
Sua cadência transcende a bagagem rítmica e gestual, aflorando nas maneiras de amar que revelam sua essência e dignidade.
A dança foi concebida por um ato de amor que a Grande Mãe ofertou.
Seja Ela a tua guia.
Seja Seu Ventre a tua morada.
Seja tu mulher, a tua dança.

EU SOU A MINHA DANÇA.

Arquétipos

Esta é a primeira vez que estudaremos a idéia do arquétipo de maneira mais profunda neste Blog Book. Existem dois grandes homens que deram grandes contribuições neste sentido: C.G.Jung e Joseph Campbell.

Para Jung, o arquétipo não permite uma definição precisa, pois se trata de um símbolo universal e cultural, presente no inconsciente coletivo. Não se trata, contudo, de um sistema mecânico como se fosse uma “tabuada”, pois não é um sistema filosófico ou sequer um simples nome ou palavra.

Ele está ligado às nossas vidas por uma ponte de emoções, na verdadeira acepção do analista. Para ele há o inconsciente coletivo, mas o arquétipo só ganha numinosidade (energia psíquica) quando é analisado dentro do contexto do indivíduo vivo. O arquétipo possui uma sensibilidade natural e não deve se transformar em um amontoado de conceitos mitológicos apenas para provar que as coisas têm ou não significado. Vejamos um trecho de seu pensamento original:

“As palavras tornam-se fúteis quando não se sabe o que representam. Isto se aplica especialmente à psicologia, onde se fala tanto de arquétipos como a anima* e o animus*, o homem sábio, a Grande Mãe, etc. Pode-se saber tudo a respeito de santos, de sábios, de profetas, de todos os homens-deuses e de todas as mães deusas adoradas mundo afora. Mas se são meras imagens, cujo poder numinoso nunca experimentamos, será o mesmo que falar-se como num sonho, pois não se sabe do que se fala. As próprias palavras que usamos serão vazias e destituídas de valor. Elas só ganham sentido e vida quando se tenta levar em conta a sua numinosidade – isto é, sua relação com o indivíduo vivo. Apenas então começa-se a compreender que todos aqueles nomes significam muito pouco – tudo o que importa é a maneira por que estão relacionados conosco.”

Para Campbell, os arquétipos da mitologia se escondem sob nossas crenças. Ele não analisava a sociedade em termos sociológicos, mas em termos mitológicos, pois abia que os antigos mitos desfilam em nossas imagens contemporâneas. Chamava as imagens de Deus de “máscaras da eternidade”.

Vejamos novamente, alguns trechos de seu pensamento original, resposta a Bill Moyers, quando este lhe pergunta “Por que mitos? Por que deveríamos importar-nos com os mitos? O que eles têm a ver com minha vida?”:

“Minha primeira resposta seria: ‘Vá em frente, viva a sua vida, é uma boa vida – você não precisa de mitologia’. Não acredito que se possa ter interesse por um assunto só porque alguém diz que isso é importante. Acredito em ser capturado pelo assunto, de uma maneira ou de outra. Mas você poderá descobrir que, com uma introdução apropriada, o mito é capaz de capturá-lo. E então, o que ele poderá fazer por você, caso o capture de fato?
Esse bocados de informação, provenientes dos tempos antigos, que construíram civilizações e enformaram religiões através dos séculos, têm a ver com os profundos problemas interiores, com os profundos mistérios, com os profundos limiares da travessia, e se você não souber o que dizem os sinais ao longo do caminho, terá de produzi-los por sua conta. Mas assim que for apanhado pelo assunto, haverá um tal senso de informação, de uma ou outra dessas tradições, de uma espécie tão profunda, tão rica e vivificadora, que você não quererá abrir mão dele.”

* anima: o aspecto feminino do interior do homem.

* animus: o aspecto masculino do interior da mulher.

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Benefícios da Dança do Ventre XLII – Dança do ventre e obesidade

II Parte

O QUE O NOSSO CORPO DIZ SOBRE NÓS

Outros dados, fornecidos por Stanley Keleman, pioneiro da Psicologia Formativa, em seu livro Anatomia Emocional, fornece um interessante estudo do corpo: através de nossa postura é possível determinar o estado de nossa saúde e como é nossa vida emocional.

Nossa estrutura e postura corporal é resultado da integração de todas as nossas experiências  desde o útero materno, e compõe a imagem que expressamos para o mundo.

A estrutura de nossa vida emocional é formada nos primeiros anos de vida. Segundo Keleman, nossa vida emocional reflete nossa mente, mostrando-se em tudo o que fazemos ou somos, inclusive em nosso corpo.

O tipo morfológico do obeso expressa certos tipos de experiências pessoais, conflitos e um resultado emocional bastante interessante para o nosso estudo. Essa estrutura somática se expressa por um padrão, cujo perfil é importante conhecer como instrumento de autoconhecimento e terapia.

CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS E COMPORTAMENTAIS

Estudos da Metafísica, mais especificamente os de Cristina Cairo, (juntamente com os estudos formativos de Keleman), revelam que a pessoa obesa, muitas vezes, possui um perfil psicológico que tenta intimidar os demais de uma forma direta (agressão, imposição) ou indireta (chantagens emocionais, vitimismo, “coitadismo”, sendo o “legal da turma”), para conseguir manter as pessoas presas a si – desejo de ser amado.

Trata-se de alguém que possui forte tendência a “inchar” de mágoa e/ou raiva: ou é explosivo ou implosivo, principalmente quando as coisas não acontecem como gostaria. Neste caso, tende a ser arrogante ou deprimido, e tem muito medo de perder o controle sobre a situação, de ser pequeno ou se sentir inferior. A questão é que a pessoa que se comporta desta maneira, já assumiu isso dentro de si.

Seus sentimentos e emoções característicos são a insatisfação e o complexo de inferioridade, embora em muitas ocasiões se expresse com simpatia, e tende a convencer a si mesma de que está tudo bem, que sua saúde é ótima. Geralmente a pessoa obesa ou com tendência à obesidade, se identifica com os outros em detrimento de si mesma e nega suas necessidades para ser aceita. Tende ainda a assumir os problemas alheios e ser “mãezona”.

Wow, que quadro negro estamos pintando do obeso!! Na realidade, a intenção é detectar as causas psicológicas da obesidade e a atuação terapêutica da dança do ventre. Falo por experiência própria, portanto, ninguém está sendo criticado por ser obeso. Minha experiência pessoal mostra que, tanto a compulsão pelo doce ou pela comida, quanto a não ingestão destes alimentos, não me fez engordar ou emagrecer – mas as minhas crenças sobre minha imagem corporal que ditavam as regras para o sucesso de minha saúde. No meu caso, a obesidade, além de ter sido um fator hereditário, foi também psicológico, e este último poderia atenuar os efeitos do primeiro.

VOCÊ DEVE ESTAR SE PERGUNTANDO: PORQUE A MÃE E NÃO O PAI?…

Famílias superprotetoras, manipuladoras e sedutoras, que estão sempre resolvendo os problemas para seus filhos, sem permitir que eles vençam seus desafios, normalmente, geram crianças obesas. Pais narcisistas tendem a exigir que seus filhos vivam de acordo com as expectativas da família, e os filhos, por medo de serem rejeitados, aceitam as condições impostas. Interessante, se observarmos, temos um modelo social bastante parecido com este.

Mães ausentes, sem presença de espírito, eu quero dizer, também geram raiva inconsciente em suas crianças na primeira infância. Já na vida adulta, a pessoa começa a relacionar os acontecimentos de sua vida ao desamparo, falta de amor e falta de reconhecimento, não-aceitação, rejeição. São sensações vividas na primeira infância, relacionadas à figura materna, que alimentam nossa criança mal-resolvida. (Cairo, 2002).

A gordura aquece e protege os órgãos e o corpo. Psicologicamente, a gordura também é uma expressão da proteção emocional da pessoa que ainda se mantém internamente na primeira infância, com o mesmo quadro psicológico: o corpo cresceu, mas a forma de entender e sentir o mundo continuam infantilizadas. Então, o corpo se protege com a gordura como uma forma de compensar a carência de si mesmo e o amor que a pessoa não se dá, e que não recebeu dos outros como gostaria.

Simbolicamente, os tecidos adiposos, que são as gorduras, estão relacionadas à maternidade, ao fator yin; e os músculos estão ligados ao homem, ao fator yang. Isso quer dizer que a gordura, estando relacionada à proteção, à maternidade, pode ser tratada na mesma linguagem de uma dança que priorize estas relações.

PRIORIZANDO NOSSA RELAÇÃO COM A MULHER INTERIOR ATRAVÉS DA DANÇA ORIENTAL

Aspectos psicológicos evocados pela dança do ventre, favorecem o contato com as experiências arquetípicas da infância, da maternidade e da feminilidade.

Alguns movimentos evocam maternidade. O redondo é potencialmente materno! É bem possível libertar as carências do passado executando redondos! Como? Detalhadamente, isso será abordado no Volume IV do Booklog, mas podemos adiantar que o redondo está estruturado na forma do círculo e tende a desenvolver-se em espirais pelo corpo. Temos a tendência de nos sentirmos abraçados por tudo o que é circular. Construções circulares ou orgânicas são inspiradas na anatomia da terra, na anatomia humana, na anatomia marítima e na anatomia do céu. Não se trata de poesia, é fato.

Porque descobrimos nossa própria fonte, aquela a alimentar todas as nossas carências, a Mãe Interna, nossa mente passa a executar um novo programa de atitudes, em nosso subconsciente, reprogramando a maneira como nos sentimos em relação às experiências passadas. A simbologia arquetípica inserida nos movimentos-forma relaciona às experiências gravadas no subconsciente, com a realidade, produz um efeito calmante e terapêutico em nossa criança mal-resolvida.

Outros movimentos da Dança do Ventre amolecem as resistências desta criança. Os tremidos e os shimmies são excelentes para, além da queima de gordura, queimar o excesso de emoções congestionadas. São excelentes para a canalização do fluxo da raiva. Raiva de si, do mundo.

A sensualidade dos oitos além de modelar a cintura, as coxas e os glúteos, modelará a personalidade, fazendo fluir o temperamento verdadeiro da praticante. Modelarão a forma física, esvaziando o que há dentro dela: pressão, tensão e rejeição.

A dança do ventre ensina a usar o corpo como recurso de embelezamento, independente da forma física. A beleza é antes de tudo, mental, moldada pelo prazer de se movimentar, e com isso, o corpo obedece sem resistência à eliminação do excesso. Excesso de gordura, de líquidos, excesso de pressão, de pensamentos. Assumimos nossa liberdade, fluidez, dinamismo, ritmo e desapego. O soltar das resistências.

Obesidade = resistência.

Obesidade = apego ao passado e autopunição.

Resistência é a materialização do medo de perder as coisas, pessoas, fatos e vícios. Mas, se eu danço, eu solto as amarras, querendo ou não, pois a dependência psicológica não permanece por muito tempo em alguém que está se tornando bem resolvido internamente. A questão é: eu quero escolher isso? Eu quero me sentir merecedora? Por que eu não mereceria ser uma pessoa magra? Do que continuar me punindo? Tenho medo de ser notada?

Não há mais necessidade de se esconder atrás de roupas enormes, não há mais motivo para não se gostar. O espelho que mostra a beleza passa a ser o movimento que executo em prol de mim mesma.

E por que será que há tantas pessoas obesas que não emagrecem com a prática bellydance?

Por uma questão de postura interna.

Emagrecimento é conseqüência. Ansiedade para emagrecer é apoiar a própria dependência em conceitos externos. Com a dança do ventre temos um arsenal que nos ajuda a romper com o comodismo que existe nestes tipos de crenças – mas nem sempre utilizamos o arsenal. Por que comodismo? Porque é sempre mais fácil continuar do jeito que está, e acreditar numa desculpa do que enxergar dentro de si mesmo com lentes de aumento.

A dança não faz milagres, ela é apenas uma coadjuvante do processo.

Movimente-se. Permita que os movimentos lhe revelem uma linguagem que faça sentido ao seu repertório de necessidades reais, de ser você mesma, de expandir sua consciência.

Se dê uma chance. Se dê várias chances! Escolha sentimentos e alimentos diferentes. Abra-se para novos gostos. Alimente sua mente com novas idéias sobre os alimentos, sobre suas roupas, sobre sua atividade física, sobre quem você é.

Perdoe-se. Perdoe seu passado. Perdoe as pessoas.

Ame-se. VOCÊ é a peça que falta no SEU quebra-cabeça.

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Benefícios da Dança do Ventre XLI – Dança do ventre e obesidade

- Aspectos psicológicos da Obesidade -

- Aspectos psicológicos da Dança do Ventre -

- Unindo os dois -

I Parte

Eu estava pensando numa forma de ajudar as pessoas que sofrem de obesidade, e então resolvi articular um pouco sobre o tema neste livro. Quem melhor, do que alguém que conhece o problema desde nascida para falar do assunto?

UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL

Luciaurea - Estilo Tribal Brasileiro

Luciaurea - Estilo Tribal Brasileiro (2007)

Desde pequena sempre fui acima do peso, mas sempre tive um corpo em harmonia. Após uma gravidez inesperada, meu corpo se deformou de tal forma que eu não podia mais praticar o Ballet Clássico. Então, optei pela Dança do Ventre, porque acreditava poder continuar dançando, principalmente se, anatomicamente, a dança respeitasse meu “novo biótipo” físico.

Desde então, comecei a trilhar um caminho espinhoso em busca de qualidade de vida. Eu estava trinta quilos acima de meu peso natural. Após seis meses de prática da Dança do Ventre, eu pude comprovar na balança onze quilos a menos. Mas ainda faltavam muitos outros para serem eliminados… O que a dança podia fazer pela estética, ela já havia feito – o resto era comigo.

Comecei a averiguar até que ponto a dança poderia me auxiliar em minha jornada – e percebi que havia um limite. A Dança do Ventre não faria milagres sozinha. Minhas crenças a respeito de minha imagem corporal poderiam me ajudar neste intento. E foi o que fiz – porque culturalmente fui ensinada, como muitas de vocês, a me rejeitar, se eu não estiver dentro dos padrões estéticos de consumo. E eu continuo nesta jornada, com a certeza de que qualidade de vida é uma conquista e um merecimento: eu escolhi me dar este presente.

AS ORIGENS DO PROBLEMA

A origem da obesidade é multifatorial. A combinação de fatores sociais, familiares, psicológicos, genéticos, metabólicos, ambientais, entre outros, contribuem para sua manifestação.

Os problemas alimentares se iniciam na adolescência, sendo que as mulheres experimentam mais conflitos com a comida, peso e forma do corpo do que os homens, pois sofrem mais pressões para se manterem magras desde muito cedo, ao perceberem que, as mensagens da mídia com relação às mulheres magras, estão relacionadas ao sucesso e à felicidade.

Isso inculca, na cabeça de muitas, o desejo de serem magras para serem mais bem aceitas socialmente, e não o desejo saudável, que de fato, deveria ser o grande gerador de forças – o grande incentivo – para emagrecer: o desejo de uma qualidade de vida melhor. É a qualidade de vida que deve motivar a mulher para atrair o sucesso e a felicidade, e não um desejo baseado num conceito distorcido socialmente.

ALGUNS ASPECTOS – QUE NÃO SÃO OS ÚNICOS

Segundo o Dr. Arthur Kaufman, as pessoas com ansiedade patológica, sofrem de um sentimento de inadaptação social, e tendem a fazer pouco caso das necessidades biológicas concernentes a exercícios físicos e a alimentação, ou seja, a opção por uma qualidade de vida fica em segundo plano.

Kaufman diz que a psicodinâmica da compulsão de comer, está ligada ao desejo inconsciente de ser gorda. No entanto, o ato de comer por compulsão traz muito sofrimento, pois a pessoa centraliza sua vida no aspecto “comida”, e não raro demonstra um intenso desespero interior, pois sua fome não é por comida, mas por amor, por aceitação, por carência, por vida, geralmente acompanhada de um intenso sentimento de culpa. “Em geral, come furtivamente, ou com amigas que também comem, enquanto que em público é uma “profissional da dieta”, bastante admirada por sua abstinência e força de vontade”.

Comumente, uma pessoa com este quadro psicológico substitui a compulsão de comida pela compulsão do regime, ignorando que essa atitude só incentiva mais desprezo por si mesma, nutrindo a falsa ilusão de que “a próxima dieta será definitiva”, rejeitando a possibilidade de uma psicoterapia, de uma atividade física ou de pequenas restrições alimentares. Desculpas do tipo “não acredito nisso”, “ginástica não resolve”, entre outras, são comuns dentro do quadro psicológico de uma mulher compulsiva que sofre com a obesidade, e mobiliza uma grande carga de energia psíquica para isso.

OBESIDADE É UMA FASE DE UM PROCESSO PSICOLÓGICO

No entanto, assim como emagrecimento traz “felicidade”, também traz a depressão, mascarada por trás de uma compulsão emocional, e vem junto a ansiedade, a tristeza e as manifestações de choro, porque no fundo, o que a mulher queria era mudar de vida, alcançando com isso a feliciadade: e a vida, continuou a mesma. O que faz o Dr. Kaufman concluir que a “depressão está presente nos dois extremos: na gordura e na magreza”.

APENAS UM EXEMPLO ENTRE MUITOS

Logo então, aparece o fator ambiental, pois a criação gerou um modo de pensar depressiogênico. Alimentada por um pai fraco ou ausente e uma mãe dominadora que limitava suas possibilidades de expressão e evolução: sentiu-se obrigada a manifestar suas necessidades por atitudes orais, pois quando chorava, entupiam-lhe de comida, se tinha um bom comportamento, era premiada com uma guloseima, e se fazia algo que era reprovável, tiravam-lhe a sobremesa.

Uma mãe sem estrutura leva a criança a resolver suas dificuldades emocionais com a ajuda da comida, segundo Kaufman: a ânsia pela comida vira sinônimo de autodestruição e dificuldade em lidar com a realidade.

“O lema da mãe do obeso é ‘Coma e foque quieto!’ Enquanto isso, o pai ou não está presente ou olha para o outro lado, deixando a mãe agir livremente. A falta, inexistência, ausência ou debilidade do pai não só dificulta o oportuno desligamento da mãe, como também dificulta as identificações masculinas indispensáveis para ambos os sexos. O filho obeso tem também sua responsabilidade submetendo-se, deixando-se induzir, pois não tem energia nem modelos para recorrer a outras alternativas”.

ANCESTRALIDADE

A sexualidade, a auto-imagem positiva, a capacidade de seduzir, ficam seriamente comprometidas ante uma educação como esta. A mãe não teve ourto modelo, a avó só podia dar o que sabia… E a gordura vai se transformando num mecanismo de auto-sabotagem de linha matrilinear: a mulher recusa-se a reconhecer sua própria feminilidade por medo de sofrer num relacionamento. Ela nem mesmo se dá uma chance, pois usa a obesidade como escudo para afastar quaisquer aspectos competitivos com relação a uma paquera. Aprendera que jamais fora boa o suficiente para encarar desafios.

“A gordura transforma-se no símbolo visual de todos os aspectos físicos e psicológicos que a pessoa odeia em si mesma: não existe identidade – a pessoal é ‘só gorda’.”

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Benefícios da Dança do Ventre XL – A prática da Dança do Ventre na 3ª Idade

Dança do ventre e saúde: a cura do templo feminino

O problema de muitas:

Viver através das experiências. Experiências que deixarão seus rastros e suas marcas. Marcas que ficarão registradas. Os registros destas marcas ficarão arquivados na memória consciente e subconsciente, que, na tentativa de aliviar a psique, utilizará o corpo como depósito de memórias, pensamentos, emoções e experiências. O corpo, armazenando estas informações, tratará de desenvolver uma linguagem única e peculiar para informar sua dona, onde estão as couraças e as respostas somáticas, que se cristalizaram com o tempo.

A mulher. Ansiosa. Tensa. Inflexível. Rígida. Infeliz… Doente.

A Dança Oriental como prática na terceira idade, que preferencialmente chamo de melhor idade, proporciona inúmeros benefícios que a mulher pode contar. A começar pelo conhecimento do próprio corpo, a consciência corporal, que culturalmente é desprezada nesta fase, é aqui, tratada com prioridade.

As potencialidades sensoriais, sensitivas, perceptivas, cinestésicas, motoras, criativas e comunicativas são ampliadas. O reconhecimento da identidade, a sensação de acolhimento que a Dança do Ventre proporciona, diminui sintomas de doenças psicossomáticas, assim como o medo da morte e o medo da solidão. Proporciona com motivação, o contato com experiências típicas desta fase da vida, com a elaboração de emoções bem compreendidas.

Por trabalhar a relação íntima entre movimento e emoção, desperta uma linguagem corporal espontânea. A prática da Dança do Ventre, também pode ter efeito ansiolítico e antidepressivo para a mulher.

Todos estes benefícios são possíveis, porque a Dança do Ventre aplicada para a melhor idade trabalha com recursos variados, tais como a música, o silencio, as vibrações produzidas pelo corpo, cores, palavras, texturas e imagens. Ela privilegia movimentos livres, espontâneos, próprios de cada praticante.

A AULA

O processo-aula favorece:

  1. o aquecimento – pode ser passivo ou ativo, com exercícios primários básicos, como o contato com o chão;
  2. a exploração dos sentidos e do espaço;
  3. a percepção do movimento respiratório;
  4. a noção de eixo corporal.

A prática dos movimentos da dança do ventre pode acontecer em dupla, grupo ou individualmente, envolvendo a movimentação de acordo com o ritmo da música, ou do ritmo interno. A aluna tem a liberdade, de criar a partir disso, um padrão próprio de movimento, respeitando sua individualidade.

Na fase do relaxamento, a praticante tem a oportunidade de reconhecer seu controle sobre o tônus muscular e perceber a diminuição de sua atividade cerebral. Nesta etapa podem se manifestar danças espontâneas para depois, a aluna se deitar ou sentar, ouvindo uma música ou ainda seguindo um relaxamento dirigido.

CONDIÇÕES PSICOLÓGICAS

Há também de se considerar as causas do porquê a fase do envelhecimento ser tão dolorosa para muitas pessoas, tais como estilo de vida, atitudes mentais que geram padrões de resposta afetiva, que por sua vez geram respostas somáticas, revelando uma espécie de reação em cadeia, onde os sistemas do corpo estão interligados.

A Dança do Ventre pode se constituir numa alternativa para diminuir ou cessar esta reação em cadeia, porque ela possibilita à mulher que a escolhe, uma decisão em reabilitar-se. No aspecto orgânico ela tem a oportunidade de melhorar o funcionamento e o desempenho de seu sistema respiratório, cardiovascular, endócrino e neuromotor. No aspecto psicológico ela começa a sentir-se útil para si, e, neste ponto, ela se revaloriza, aumenta sua auto-estima, se dá crédito, confia em si mesma e em suas capacidades, respeita seus limites, respeita-se como é, e reorganiza sua auto-imagem corporal.

DANÇA DO VENTRE NA MELHOR IDADE

A Dança do Ventre é principalmente vantajosa para a mulher da melhor idade. Pois ela já viveu as alegrias e mágoas que a vida lhe permitiu sentir, ela carrega consigo uma bagagem de conhecimentos que coloca a mulher jovem em desvantagem na dança. A mulher na melhor idade, tem experiências que a mulher jovem não possui, por isso mesmo, sua sensualidade, trabalhada e reconhecida na dança, é natural e espontânea, é mais envolvente e magnética – ela vive o arquétipo d’Aquela que Tudo Sabe.

Benefícios da Dança do Ventre XXXIX – Vivendo a Anciã: Envelhecimento e Morte

Dança do ventre e saúde: a cura do templo feminino

Permanecer jovem é uma arte.

Tornar-se anciã, também.

Segundo Mirella Faur, assim como nas sociedades matriarcais a primeira menstruação era celebrada, o rito de passagem para a menopausa constituía um “status” especial, tornando-se a mulher geralmente conselheira espiritual, curadora ou profetiza da comunidade; pois retendo o sangue em seu corpo, ela se tornaria mais sábia, uma vez que sangue era símbolo de mana (poder).

Como vimos, as celebrações em torno do sangue feminino foram substituídas pelos tabus dentro de nosso ventre – e de nossas mentalidades. A mulher, gradativamente, passou a ser hostilizada, vista como um ser perigoso ou impuro, como uma espécie de “punição” por ser considerada um ser de poder. Essa punição seguiu a mulher até nossos dias. Muitas, influenciadas pela própria conduta machista de seus relativos, que valoriza mais a capacidade reprodutiva e os encantos sexuais femininos, adotam posturas de desconsideração em relação a si próprias após a menopausa.

Mirella Faur acentua que a figura da Anciã foi substituída pela caricatura medieval da velha bruxa, que era queimada pela Santa Inquisição; e acrescenta: para que a mulher madura seja valorizada pela sociedade atual, há a necessidade da própria mulher reverter os preconceitos que tem de si mesma – encarando a passagem para a menopausa como o início de um novo ciclo: o da sabedoria.

“Aceitar essa nova fase e celebrá-la através de rituais e cerimônias contribuirá para a libertação dos medos sobre a perda da feminilidade, a decadência física mental, a entrega à passividade, ao vazio, à depressão. Sentindo-se aceita, honrada e celebrada pelas suas irmãs e companheiras de jornada, a mulher saberá sintonizar-se com os atributos da Mulher Sábia, da conselheira, da mestra e da Deusa anciã, compartilhando os maduros frutos de suas experiências e vivências”. (vide texto de apoio disponível em Mistérios do Sangue)

Toda bailarina é como uma “parteira” da sensibilidade. O corpo da mulher não possui fronteiras para a manifestação de sua deusa.

A Anciã é o estágio mais próximo da Madonna (Mãe Espiritual/Grande Mãe/ Deusa). Sua volta à terra é a volta à Ela. Estamos todas indo de volta para casa.

Ao interpretar a palavra envelhecimento, é importante encará-lo não como uma ponte para o mundo tétrico da morte, porém a morte é apenas o reflexo da vida do outro lado do espelho, e esse reflexo adota as expressões de sua projetora. Na ciência tradicional tudo nasce, cresce, vive e acaba. Na ciência contemporânea, os próprios cientistas passam a admitir a continuação da vida num estágio diferente através da física quântica, com as teorias do hiperespaço.

Aceitar o processo de envelhecimento como uma transformação, como tudo na Natureza, leva à tranqüilidade interior e à Força responsável pela transmissão da sabedoria em Dança do Ventre para as futuras gerações, assim como era transmitida na Era Mitológica, e continua sendo, em muitas famílias orientais.

Somos todas parteiras da sensibilidade.

Fomos paridas por nossas mães.

E durante o processo da vida,

Parimos nossa própria luz como deusas.

Agora, na forma de anciãs,

Parimos nossa própria sabedoria.

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Benefícios da Dança do Ventre XXXVIII – Rejuvenescimento, Juventude e Vida Longa

Dança do ventre e saúde: a cura do templo feminino

Na dança do ventre partimos do princípio de que nunca é tarde para iniciar o aprendizado. Todas as mulheres são belas na dança do ventre, pois, em sua herança histórica e mitológica, na psique feminina, a mulher selvagem aceita todas as suas filhas tais como são: belas e únicas.

Segundo o professor de ioga Hermógenes, considerando que os demais mamíferos vivem dez vezes mais que o tempo que demoram para atingir a maturidade, o ser humano, que também é um mamífero, deveria ter no mínimo uns duzentos anos de vida, e seu processo de envelhecimento deveria se iniciar aos setenta anos, pois a vida, realmente começa aos quarenta.

Pesquisas científicas da medicina anotadas pelo Professor Hermógenes, constataram que a atuação dos hormônios sobre as glândulas endócrinas, estimulando-as, pode conservar uma pessoa jovem, retardando o envelhecimento. A limpeza intestinal é um tópico importante, pois o material intestinal tende a lançar substâncias nocivas na corrente sanguínea, o que também contribui para o envelhecimento.

O QUE A DANÇA DO VENTRE PODE FAZER POR VOCÊ

A dança do ventre pode tanto estimular e equilibrar os hormônios femininos, auxiliar na cura da insuficiência ovariana, quanto combater a prisão de ventre como vimos, pois trabalha o tonos das paredes abdominais e contribui com o peristaltismo voluntário. Tudo isso, com o auxílio das ondulações abdominais, entre outros movimentos, combinados à respiração abdominal – o que ensina a movimentar o diafragma, ativando o natural funcionamento dos órgãos da região do baixo-ventre.

Fatores como uma boa circulação sanguínea, também contribuem para a manutenção da juventude através da prática bellydance, pois seus exercícios aeróbicos de baixo impacto evitam que você retenha líquido.

Vejamos alguns fatores, cujo desempenho, a dança do ventre pode cobrir:

  • o cérebro precisa ser irrigado para que suas glândulas, pineal e pituitária, funcionem bem. A pineal é responsável pela psique e pelo desenvolvimento sexual do ser humano. A pituitária é responsável por outras glândulas, tais como a tireóide, e também pelo sistema nervoso autônomo;
  • os tecidos precisam de nutrientes que estimulem seu funcionamento;
  • toxinas e resíduos precisam ser eliminados, pois quando se acumulam nas articulações, prejudicam os movimentos;
  • uma má circulação pode prejudicar o bom funcionamento dos órgãos.

A dança do ventre pode ativar a circulação sanguínea, principalmente na região genito-urinária, como também sob a força extática de movimentos como os tremidos, a circulação sanguínea é ativada e percorre todo o organismo, chegando inclusive ao cérebro, onde se localizam os neurotransmissores responsáveis pelo equilíbrio do humor (acessar SOBRE NOSSA ESTRUTURA MENTAL, PSÍQUICA E EMOCIONAL – I Parte, Volume II).

O QUE VOCÊ GANHA COM A PRÁTICA CONSTANTE

Com o passar dos anos, a musculatura, também por força da gravidade, tende a pesar. Os músculos sustentam menos o esqueleto – a coluna, como também os órgãos. Embora a dança do ventre não defina tanto a musculatura do corpo como na musculação, seu exercício lhe confere elasticidade e sustentabilidade, principalmente à região abdominal (neste caso, as ondulações ventrais fortalecem a região como também a definem). A coluna, sendo o vaso que abriga uma legião de nervos da medula espinal, cuja importância no funcionamento fisiológico é de peso ímpar, pois órgãos e glândulas estão a ela ligados, necessita de elasticidade, flexibilidade e sustentabilidade. A dança do ventre, trabalha nos “cambrés“, o alongamento da coluna em movimentos ântero-posteriores e látero-laterais, gradativamente, respeitando o estágio de desenvolvimento e as características anatômicas de cada aluna. Mencionando ainda que a prática correta destes alongamentos aliados à respiração proporcionam uma intensa massagem nos órgãos internos.

Doenças diversas tendem a estimular o envelhecimento precoce. Até nisso a dança do ventre pode auxiliar, pois mantém a mente da mulher sempre saudável. Mente sã, corpo são. Como mencionei em textos anteriores, a psicossomática evoluiu muito e hoje se conhece detalhadamente o processo de adoecimento estimulado por uma conduta mental negativa. Na dança do ventre, através de uma boa saúde, a mulher tem a oportunidade de progredir espiritualmente, pois poderá aumentar a quantidade de experiências a viver neste vaso, que é o corpo humano, onde poderá plantar diversas flores.