II Parte
O QUE O NOSSO CORPO DIZ SOBRE NÓS
Outros dados, fornecidos por Stanley Keleman, pioneiro da Psicologia Formativa, em seu livro Anatomia Emocional, fornece um interessante estudo do corpo: através de nossa postura é possível determinar o estado de nossa saúde e como é nossa vida emocional.
Nossa estrutura e postura corporal é resultado da integração de todas as nossas experiências desde o útero materno, e compõe a imagem que expressamos para o mundo.
A estrutura de nossa vida emocional é formada nos primeiros anos de vida. Segundo Keleman, nossa vida emocional reflete nossa mente, mostrando-se em tudo o que fazemos ou somos, inclusive em nosso corpo.
O tipo morfológico do obeso expressa certos tipos de experiências pessoais, conflitos e um resultado emocional bastante interessante para o nosso estudo. Essa estrutura somática se expressa por um padrão, cujo perfil é importante conhecer como instrumento de autoconhecimento e terapia.
CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS E COMPORTAMENTAIS
Estudos da Metafísica, mais especificamente os de Cristina Cairo, (juntamente com os estudos formativos de Keleman), revelam que a pessoa obesa, muitas vezes, possui um perfil psicológico que tenta intimidar os demais de uma forma direta (agressão, imposição) ou indireta (chantagens emocionais, vitimismo, “coitadismo”, sendo o “legal da turma”), para conseguir manter as pessoas presas a si – desejo de ser amado.
Trata-se de alguém que possui forte tendência a “inchar” de mágoa e/ou raiva: ou é explosivo ou implosivo, principalmente quando as coisas não acontecem como gostaria. Neste caso, tende a ser arrogante ou deprimido, e tem muito medo de perder o controle sobre a situação, de ser pequeno ou se sentir inferior. A questão é que a pessoa que se comporta desta maneira, já assumiu isso dentro de si.
Seus sentimentos e emoções característicos são a insatisfação e o complexo de inferioridade, embora em muitas ocasiões se expresse com simpatia, e tende a convencer a si mesma de que está tudo bem, que sua saúde é ótima. Geralmente a pessoa obesa ou com tendência à obesidade, se identifica com os outros em detrimento de si mesma e nega suas necessidades para ser aceita. Tende ainda a assumir os problemas alheios e ser “mãezona”.
Wow, que quadro negro estamos pintando do obeso!! Na realidade, a intenção é detectar as causas psicológicas da obesidade e a atuação terapêutica da dança do ventre. Falo por experiência própria, portanto, ninguém está sendo criticado por ser obeso. Minha experiência pessoal mostra que, tanto a compulsão pelo doce ou pela comida, quanto a não ingestão destes alimentos, não me fez engordar ou emagrecer – mas as minhas crenças sobre minha imagem corporal que ditavam as regras para o sucesso de minha saúde. No meu caso, a obesidade, além de ter sido um fator hereditário, foi também psicológico, e este último poderia atenuar os efeitos do primeiro.
VOCÊ DEVE ESTAR SE PERGUNTANDO: PORQUE A MÃE E NÃO O PAI?…
Famílias superprotetoras, manipuladoras e sedutoras, que estão sempre resolvendo os problemas para seus filhos, sem permitir que eles vençam seus desafios, normalmente, geram crianças obesas. Pais narcisistas tendem a exigir que seus filhos vivam de acordo com as expectativas da família, e os filhos, por medo de serem rejeitados, aceitam as condições impostas. Interessante, se observarmos, temos um modelo social bastante parecido com este.
Mães ausentes, sem presença de espírito, eu quero dizer, também geram raiva inconsciente em suas crianças na primeira infância. Já na vida adulta, a pessoa começa a relacionar os acontecimentos de sua vida ao desamparo, falta de amor e falta de reconhecimento, não-aceitação, rejeição. São sensações vividas na primeira infância, relacionadas à figura materna, que alimentam nossa criança mal-resolvida. (Cairo, 2002).
A gordura aquece e protege os órgãos e o corpo. Psicologicamente, a gordura também é uma expressão da proteção emocional da pessoa que ainda se mantém internamente na primeira infância, com o mesmo quadro psicológico: o corpo cresceu, mas a forma de entender e sentir o mundo continuam infantilizadas. Então, o corpo se protege com a gordura como uma forma de compensar a carência de si mesmo e o amor que a pessoa não se dá, e que não recebeu dos outros como gostaria.
Simbolicamente, os tecidos adiposos, que são as gorduras, estão relacionadas à maternidade, ao fator yin; e os músculos estão ligados ao homem, ao fator yang. Isso quer dizer que a gordura, estando relacionada à proteção, à maternidade, pode ser tratada na mesma linguagem de uma dança que priorize estas relações.
PRIORIZANDO NOSSA RELAÇÃO COM A MULHER INTERIOR ATRAVÉS DA DANÇA ORIENTAL
Aspectos psicológicos evocados pela dança do ventre, favorecem o contato com as experiências arquetípicas da infância, da maternidade e da feminilidade.
Alguns movimentos evocam maternidade. O redondo é potencialmente materno! É bem possível libertar as carências do passado executando redondos! Como? Detalhadamente, isso será abordado no Volume IV do Booklog, mas podemos adiantar que o redondo está estruturado na forma do círculo e tende a desenvolver-se em espirais pelo corpo. Temos a tendência de nos sentirmos abraçados por tudo o que é circular. Construções circulares ou orgânicas são inspiradas na anatomia da terra, na anatomia humana, na anatomia marítima e na anatomia do céu. Não se trata de poesia, é fato.
Porque descobrimos nossa própria fonte, aquela a alimentar todas as nossas carências, a Mãe Interna, nossa mente passa a executar um novo programa de atitudes, em nosso subconsciente, reprogramando a maneira como nos sentimos em relação às experiências passadas. A simbologia arquetípica inserida nos movimentos-forma relaciona às experiências gravadas no subconsciente, com a realidade, produz um efeito calmante e terapêutico em nossa criança mal-resolvida.
Outros movimentos da Dança do Ventre amolecem as resistências desta criança. Os tremidos e os shimmies são excelentes para, além da queima de gordura, queimar o excesso de emoções congestionadas. São excelentes para a canalização do fluxo da raiva. Raiva de si, do mundo.
A sensualidade dos oitos além de modelar a cintura, as coxas e os glúteos, modelará a personalidade, fazendo fluir o temperamento verdadeiro da praticante. Modelarão a forma física, esvaziando o que há dentro dela: pressão, tensão e rejeição.
A dança do ventre ensina a usar o corpo como recurso de embelezamento, independente da forma física. A beleza é antes de tudo, mental, moldada pelo prazer de se movimentar, e com isso, o corpo obedece sem resistência à eliminação do excesso. Excesso de gordura, de líquidos, excesso de pressão, de pensamentos. Assumimos nossa liberdade, fluidez, dinamismo, ritmo e desapego. O soltar das resistências.
Obesidade = resistência.
Obesidade = apego ao passado e autopunição.
Resistência é a materialização do medo de perder as coisas, pessoas, fatos e vícios. Mas, se eu danço, eu solto as amarras, querendo ou não, pois a dependência psicológica não permanece por muito tempo em alguém que está se tornando bem resolvido internamente. A questão é: eu quero escolher isso? Eu quero me sentir merecedora? Por que eu não mereceria ser uma pessoa magra? Do que continuar me punindo? Tenho medo de ser notada?
Não há mais necessidade de se esconder atrás de roupas enormes, não há mais motivo para não se gostar. O espelho que mostra a beleza passa a ser o movimento que executo em prol de mim mesma.
E por que será que há tantas pessoas obesas que não emagrecem com a prática bellydance?
Por uma questão de postura interna.
Emagrecimento é conseqüência. Ansiedade para emagrecer é apoiar a própria dependência em conceitos externos. Com a dança do ventre temos um arsenal que nos ajuda a romper com o comodismo que existe nestes tipos de crenças – mas nem sempre utilizamos o arsenal. Por que comodismo? Porque é sempre mais fácil continuar do jeito que está, e acreditar numa desculpa do que enxergar dentro de si mesmo com lentes de aumento.
A dança não faz milagres, ela é apenas uma coadjuvante do processo.
Movimente-se. Permita que os movimentos lhe revelem uma linguagem que faça sentido ao seu repertório de necessidades reais, de ser você mesma, de expandir sua consciência.
Se dê uma chance. Se dê várias chances! Escolha sentimentos e alimentos diferentes. Abra-se para novos gostos. Alimente sua mente com novas idéias sobre os alimentos, sobre suas roupas, sobre sua atividade física, sobre quem você é.
Perdoe-se. Perdoe seu passado. Perdoe as pessoas.
Ame-se. VOCÊ é a peça que falta no SEU quebra-cabeça.
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